Sobre Faculdades…
O post de hoje é mais uma forma de desabafo, uma tentativa de desembuchar baboseiras sem sentido com o intuito de descarregar o stress sobre determinado assunto.
É quase ritualístico no Brasil as pessoas viverem em função de faculdade. Desde pequeninhos os pequerruchos são orientados pelos pais com perguntas sobre “o que você vai ser quando crescer?” e isso é mais como “que faculdade você vai fazer?”. Na época do ensino médio o moleque é mais pressionado do que controlador de vôo do aeroporto de Congonhas por causa do maldito vestibular.
A faculdade é uma meta que se forma na mente desde o início dos estudos, um objetivo de vida que, aparentemente, seria a resolução para os seus questionamentos sobre futuro. É como se após a faculdade, tudo ficaria bem claro, a fase adulta teria chegado, etc.
Eu não sei se é porque sou uma anomalia genética ou algo do tipo, mas eu sempre imaginei que a faculdade seria um “templo de conhecimento” que me guiaria naquilo que eu faria pro resto da minha vida. Eu não procurei estudar lá pra descobrir o que eu queria fazer, eu já sabia o que eu queria.
E foi por isso mesmo que eu me decepcionei.
Veja, não falo de uma realidade geral, sei que essa minha utopia pode realmente existir e existam verdadeiros “templos de conhecimento”. Falo apenas da minha experiência no local onde passei dois anos estudando. Sim, metade de um curso completo.
Confesso que minha vida começou meio que ao contrário, entrei no mercado bem antes de iniciar essa busca por um diploma e quando o ritmo universitário veio, eu tive que conciliá-lo com a rotina profissional que a cada dia se mostrava mais corrida, pois eu nunca trabalhei com a simples meta de ganhar meu salário no fim do mês (o que é apenas uma das metas do trabalho em si), mas de construir a mim mesmo e tornar o que eu faço algo que tenha um papel importante na minha vida e, por que não, na vida de outras pessoas.
Foi nesse tempo de buscar conciliar e me adequar às duas atividades da minha vida que eu encontrei a incompatibilidade e falta de resultados do que eu estava fazendo na minha faculdade. Apesar de estar bem nos meus estudos, nada daquilo influenciava significantemente no meu objetivo profissional, era um foco bem diferente quando analisado de perto. Acredite, há muita diferença entre o trabalho de um ilustrador e de um designer gráfico, apesar dos leigos (e muitos profissionais) encararem como áreas semelhantes. Uma disparidade que se agrava ainda mais pelo fato do meu foco profissional ser mais ligado a determinada área, como quadrinhos e games.
Juntando isso com a precariedade do curso na instituição onde em freqüentei, a desmotivação acabou me levando a precisar escolher. Eu sempre fui ensinado a procurar o melhor pra mim, fazer o melhor que eu posso e um curso onde gastava uma quantia relativamente alta e que não me trazia 20% dos resultados que efetivamente poderiam me auxiliar no meu objetivo mostrava-se na verdade um atraso ao meu desenvolvimento. Lógico que haviam coisas boas, fiz bons contatos, tive uns dois professores que realmente posso considerar como mestres e posteriormente companheiros de trabalho. Mas, justamente por isso, eu devia algo melhor para mim mesmo e aqueles que esperavam algo bom de mim.
Sinceramente, eu não dou a mínima para diploma. Não entro numa instituição com o objetivo de sair carregando um papel que pode dizer muita coisa para alguns, mas está muito longe de representar um verdadeiro profissional, ainda mais numa área prática como a nossa. Também não faço questão de trabalhar pra um lugar que me analisa por um simples documento e não por minhas habilidades. De fato, poderia citar muitos nomes aqui de pessoas talentosas (inclusive estudadas em conteúdo acadêmico,) que não se apóiam numa plaquinha pendurada na parede. Tenho plena consciência de que tudo o que sei e o pouco que conquistei nunca tiveram nada a ver com qualquer instituição na qual eu pisei.
Lógico, eu não estou jogando fora a importância de estudar num lugar que te dê possibilidades de aprender e melhorar como profissional, que foi justamente o que me fez trancar meu curso e estudar novas opções, sejam faculdades, academias de arte, novos cursos, etc. Mas sei que enquanto eu não tiver condições de buscar um lugar acadêmico que realmente me faça crescer não gastarei minhas opções e esforços com situações infrutíferas. Sim, eu penso grande, eu quero o melhor pra mim como todo mundo e quero ter a certeza que o esforço daqueles me ajudaram e ainda me suportam seja feito por algo que trará orgulho no final.
Se eu voltarei a uma faculdade? Ainda não sei. O que sei é que estou bem com a minha decisão, tenho ótimas portas abrindo-se pra mim e pessoas que me admiram pelo que eu faço. Apenas fico triste ao ver que alguns muitas vezes desmerecem tais atitudes sem pensar, considerando-as extremas e muitas vezes imaturas quando na verdade é algo que simplesmente busca a pura e simples realização pessoal /profissional. Tais pessoas fazem isso muitas vezes por pura ignorância ou inveja ao encarar a própria covardia de meter as caras naquilo que acreditam ser o melhor para si e para aqueles que o rodeiam. Eu até aceito a ignorância, mas a segunda alternativa me dá pena.
Recentemente uma pessoa que já foi muito próxima de mim tomou a decisão de se jogar para outro lugar em busca do seu objetivo, ele simplesmente me disse “aqui eu não estou mudando nada, eu quero mudar o mundo” e essa frase bateu com aquilo que sempre me guiou no que eu faço. Deixar marcas da minha existência nesse tempo tão curto que passamos aqui. Tornar cada segundo importante como se fosse a última gota da sua vida se esvaindo na chuva, estar com a pessoa que você ama e transformar aquele momento em algo sempre único, abraçar seus amigos e mostrar o quanto são importantes, fazer com que o seu trabalho carregue uma pequena parte sua pelo mundo.
Nada disso é possível se a gente não parar de desperdiçar o tempo com dúvidas virtuais, que nos cegam para as repostas que sempre soubemos desde o início, sobre o que é realmente bom para nós.





É verdade, acho que a gente deve buscar uma faculdade se essa se condiz com o tipo de objetivo que nós almejamos…porém, de fato muitas pessoas fazem faculdade só por status ou por pressão dos pais, sem nem se achar e perceber o que realmente quer, mas por outro lado tem aquelas pessoas sedentas pela teoria e que querem casa-la logo com a prática, meu caso foi esse, resolvi a anos o meu curso e só escolhi a faculdade mesmo, que depois de muita pesquisa e avaliação da qualidade, escolhi o IESB aqui de Brasília. Então, acho que são muitos fatores que levam uma pessoa a fazer um curso superior, e acho que questão de identificação e segurança de saber o que quer é o que diferencia qualquer profissional e ainda assim interfere na felicidade do indivíduo na sociedade.