Para Aprender a Desenhar – Parte 2
Organizando suas idéias
Fala, pessoal!
Nesses últimos dias, comecei aqui no blog e no WebartZ a colocar material para ajudar aos profissionais e aspirantes que trabalham com ilustração (embora as dicas aqui ajudem outros perfis profissionais também.) Pretendo falar de tudo um pouco, da escolha de materiais às razões lógicas para somente sua mãe achar teus desenhos bonitos ou se uma tablet que custaria teu rim vale a pena. Hoje vamos falar um pouco sobre o momento que antecede a execução de um material, a hora de espremer o cérebro e bolar uma idéia bacana e organizada.

A cena é clássica, o cara recebe um job e, atolado entre mil outros Jobs, fazer as comprar da patroa e dar comida pro cachorro, simplesmente senta à mesa e começa literalmente a “vomitar” todo o tipo de idéia já aplicando como um produto final. Total fast food!
Assim, ele se joga no PC/papel/ouodiaboquetuescolher e começa a executar o resultado final, sem a mínima idéia de como vai realmente ser. Na verdade, até sem perceber, o mané ta meio que num filme de SUSPENSE.
Mal sabe ele que existe uma diferença básica entre o que a gente faz e o que a maioria de quem meche nessa área apenas com o sentido “artístico”: FUNÇÂO.
Sim, por mais bacana, maluco e “artístico” que seja, o trabalho que fazemos tem funcionalidade e um foco em um determinado fim. Seja essa finalidade comunicar algo (em sua maioria) ou dar suporte a algum outro elemento (que no fundo acaba sendo comunicação também).
Quando o profissional (e eu não me refiro somente ao ilustrador) deliberadamente pula a fase de idealização/estudo e passa direto para a execução acaba gerando varias dores de cabeça. Tais problemas vão desde os técnicos (que teu cliente pode até não ver, mas que sempre prejudica a longo prazo) aos pessoais (dores de cabeça, fossa generalizada e esposas indignadas são bem comuns quando você ta com algum problema profissional.)
Então vamos lá. No geral, pense basicamente em:
- Objetivo: para que é o produto? O que ele quer passar? Quem trabalha com comunicação, sabe que há diversas formas de se transmitir algo e isso vai desde questões estruturais (técnicas, composição, etc.)
- Público: para quem você ta fazendo isso? Lembre que nem sempre o teu cliente (aquele que te paga) é o consumidor final. Saber o que chama a atenção e os desejos do consumidor é a chave para saber com qual linha o teu trabalho vai seguir.
- Referências: Copiar, não. Mas saber o que anda rolando de semelhante é sempre bom. Seja para analisar a concorrência, ou para procurar inspiração. Só tente não divagar muito e gastar tempo exaustivo buscando referências. Procure um equilíbrio para não perder o foco. Já falei um pouco sobre isso aqui.
- Idealização: Antes de começar, pense em como vai ser, imagine o produto final. Muita gente não tem esse costume, mas a fase de idealização vai te poupar de contratempos, evitando que você precise inclusive refazer etapas (e isso é tão chato quanto pisar em cocô). Rabisque, teste cores, apresente idéias pro teu cliente se possível, viaje muito na sua idéia para ter algo sólido e um conceito com o qual trabalhar.
Eu vou me prender mais um pouco a idealização porque é realmente necessário falar. Um grande detalhe sobre a idealização é que ela vai te dizer como e do que você vai precisar para chegar ao resultado final, ajudando na sua organização. Aquele trabalho vai pedir cores em layers separados? Você vai precisar de um fotógrafo? Ninguém vai entender bulhufas do que você pensa em fazer?
Isso faz parte do que a gente já conhece como briefing, o qual, olhando mais a fundo, possui muitos outros itens a ser analisados que, dependendo do trabalho, podem ser ou não necessários.
Se olharmos bem, tudo isso é geral e se encaixa em varias áreas, não só ilustração. Procure ver o diferencial da sua e estabeleça seu método. Apesar de existirem esses elementos que abrangem praticamente qualquer atividade, você, como profissional, sempre acaba adequando um determinado método para si.
Quando a gente fala de ilustração, todos esses fatores acabam influenciando drasticamente na composição e layout do produto final. É com base nesses dados e reflexões que você vai definir, por exemplo, que paleta de cores usar, a organização dos elementos na composição, qual estilo aplicar e o concept geral dos elementos em cena. Isso dá substância ao seu trabalho traz um resultado que não é só bonito, mas possui um conceito. Isso evidencia o fato que buscar apenas a beleza visual nem sempre atende os objetivos (como aquela imagem que o mané acha bacana, mas não sabe o que significa.)
Se você trabalha com ilustrações mais específicas, como em game art, desenho técnico, criação de personagem, etc., mais evidente se mostra importante a necessidade de um estudo prévio, que em grande parte já vem especificado para suas mãos (como em um Game Design Document), mas ainda exige que você gaste um pouco dos seus neurônios na função de representar todas aquelas informações.
Espero em breve destrinchar aqui todos esses cuidados na hora de idealizar um trabalho, como escolher paletas de cores, cuidados na composição, pesquisas, sketch, etc. São coisas que se eu fosse colocar aqui iriam criar um verdadeiro almanaque pra deixar qualquer leitor com vertigens de tanto ler no PC. Então, vamos tirar um descanso e enquanto isso sair com a patroa e dar comida pro cachorro.
Até mais!




eu nao sei desenhar
nem eu